Quinta-feira, Junho 29, 2006

Nascer?!

Nascer crescer envelhecer morrer, ociclo inevitável da vida.

Talvez muitos não se questionem sobre o acto involuntário do nascimento, nascemos por vontade dos nossos pais? Pelo chamamento genético que nos impele a reproduzirmo-nos?Por mero acaso? Porque todos pertencemos a um gigantesco plano, que desconhecemos, onde no qual cada um desempenha um papel fundamental!?

O porquê do nosso nascimento ser-nos-á sempre ocultado.O certo, é que a partir desse momento (que considero uma dádiva da Natureza), é nos oferecido um leque de experiências infinito.

Talvez alguns ponham em causa esse nascimento devido a experiências dolorosas com que são confrontados nas suas vidas. É justo. Então pergunto-me, não seria maior a dor, se tivessemos conhecimento da Vida e não nos fosse permitido fazer parte dela? Não existiriam memórias, não experimentavamos o riso ou o sabor salgado das lágrimas. Nunca sentiríamos o que é a saudade, a amizade, a alegria ou a tristeza. Nunca saberíamos de que cor é o nascer do Sol, a que cheira o ar quando a chuva ensopa a terra, o som das ondas a chegarem à areia, o toque áspero das pedras ou o suave de uma papoila. Não estaríamos lá para abraçar os amigos, para ensinar ou aprender essas e tantas outra experiências que fazem de nós um animal único e com capacidades extraordinárias.

Experiências essas, que se transformam em conhecimento, em Ciências, em Tecnologia, em Arte, que permitem a ascenção ou o declínio do Homem.

Nascer pode ser um acto involuntário sem uma razão lógica para acontecer. Mas no percurso da vida cada um é responsável pelos caminhos que opta, pelos riscos que corre, e responsável por todos os seres que envolve nessa sua curta vida.

Pela História da Humanidade têm aparecido grandes homens, uns relembrados por grandes feitos que permitiram melhorar a nossa condição; outros, relembrados pelos horrores que cometeram contra a Humanidade.

Talvez na imperfeita perfeição de Natureza, essa seja a forma de manter o equilíbrio das coisas.

Pois só sabe amar aquele que já experimentou o ódio (mas não se deixou cegar por ele)

Lembrei-me agora…e será justo negar o nascimento a alguém? Ou seja, abortar?

A partir do momento em que somos responsáveis pelos actos realizados na nossa vida, somos igualmente responsáveis por aqueles a quem damos vida.

Isto da responsabilidade é uma coisa muito complicada…

Poderá o aborto ser encarado como uma forma responsável de resolver a irresponsabilidade ou um “acidente”? É tão válido como o controlo de natalidade efectuado em alguns locais!

Negar a gravidez a uma mulher é tão mau como impedi-la de abortar.

Já sei que alguns vão dizer: “mas em Portugal não há controlo de natalidade!”. Pois não! Mas o Abono de Família, o Salário Mínimo Nacional, a organização do Sistema Nacional de Saúde e de Ensino, os preços dos imóveis, da alimentação, etc, etc., funcionam bem como desmotivadores.

Como é que um Estado irresponsável, pode apelar à responsabilidade dos Homens?

Está visto que crescer, envelhecer e morrer é uma experiência extraordinária…é justo que em pleno séc. XXI se exija condições para que nascer seja uma benção e não uma penitência.

 

Publicado por Zorbita em 16:22:27 | Permalink | Comentários (2)